Sob um céu cinza chumbo: #0

In between, eu não te esqueci!

Eu posso por a culpa na minha faculdade, mas isso seria falsidade da minha parte, eu parei de postar porque… Nem sei, e também não to prometendo com esse post voltar a atividade “normal” (se é que esse blog um dia teve atividade normal), mas eu tinha que terminar essa história.

Bom, umas considerações. Eu comecei a escrever essa história aos 16, por motivos que não me convém falar, e por mais que eu tenha levado algum tempo pra terminá-la, ela seguiu quase a risca o cronograma que eu imaginei aos 16 anos. Por mais que seja possível notar uma evolução grande do início ao fim, esse texto ainda segue umas limitações do meu início, coisas que achei melhor não mexer. Eu planejo um dia revisar essa história, rescrever todos os capítulos com a qualidade que eles merecem ser escritos, mas esse dia esta MUITO longe.

Mesmo assim esse é o fim de uma saga, a primeira de muitas. Entrego agora o fruto da minha demanda, e agradeço (sem nomes, para não esquecer ninguém) a todos que me ajudaram de qualquer maneira com essa história, obrigado.

início: Aqui

Anterior: Aqui

Sob um céu cinza chumbo: # 0

Era a ultima semana de aula, Micke e Fernanda voltavam dá escola juntos, ninguém falava nada. A mão direita de Micke estava em seu bolso, segurava um objeto muito importante, sua mente maquinava um plano. A mão esquerda segurava algo mais importante a mão de Fernanda.

O céu estava fechado, garoava bem fraco, não era o suficiente para preocupar ninguém, mas Micke sentia frio, era um momento muito importante e nada podia sair errado.

Fernanda soltou sua mão.

—Precisamos conversar.

Ela olhava para ele, olhos verdes brilhando com gotas de água salgada, imprecisos, incertos.

—Tá tudo bem? —Micke estava assustado, era claro que não estava.

—Micke, você é um cara muito importante pra mim, passamos por muita coisa, juntos e separados, e eu nem sei como eu vou te falar isso. Eu pensei nisso a semana toda, planejei, estive com a coisa toda na cabeça e agora sumiu tudo.

Micke apertou o objeto em seu bolso.

—Calma, vai dar tudo certo, pode me falar.

—Eu não acho que isso vai dar certo. Eu to confusa, to com medo.

—Mas por quê? As coisas tem sido tão boas na ultima semana, passamos por todos os problemas que tínhamos, as férias estão chegando, finalmente poderemos ter um tempo só pra nós.

—É exatamente por isso, as férias. Moramos muito longe um do outro.

—Você sabe que isso não quer dizer nada, eu não ligo de ir te visitar, e ir pro seu lado da cidade quando formos sair, sem problemas.

—Na verdade Micke, eu vou receber uma visita nessas férias, uma ex namorada minha que se mudou para o interior a um ou dois anos, ela vai passar um mês em casa e… Eu não quero te trair.

—Não traia! —Micke estava ficando desesperado, apertava com força a pequena caixa aveludada em seu bolso, e para piorar a situação a chuva só apertava.

—O único jeito de não fazer isso, é terminar com você, me desculpe.

Micke não desculpava, mas não precisou dizer isso, Fernanda voltou a andar, ele não. Ficou ali.

A cada minuto chovia mais forte, Micke estava ensopado, mas mesmo assim não moveu um músculo sequer.

Aos poucos Micke colocava as idéias no lugar, depois de tanta coisa, não seria de se espantar que Fernanda terminasse com ele. Mesmo assim ele gostava dela, e sentiria a sua falta.

Voltou a andar, foi em direção ao metro. Ao chegar ao metro, sentou e começou a rabiscar algumas palavras em um papel, aquilo ajudava a colocar a cabeça no lugar. Percebeu que poderia se virar com as coisas ruins, e que no ano seguinte, conheceria pessoas novas. Percebeu que a única coisa que ele tinha perdido, era o seu primeiro amor. Só o primeiro por enquanto.

Terminou de escrever, levantou e desceu, foi para casa bem, tinha terminado um capítulo de sua vida.

Se existe uma musica para essa saga inteira, eu não sei, não conheço. Sinceramente conheço várias que serviriam para vários momentos, mas para não cometer nenhuma injustiça, o texto termina como começou, sem musica nenhuma.

Eu tenho ideias novas, tenho lido bastante também, mas não tenho escrito quase nada, então acho pouco provável que eu volte aqui tão cedo, já deixo as minhas desculpas.

Novamente obrigado, e até a próxima empreitada!


Sob um céu cinza chumbo: #-1

Já tá enchendo o saco né?

Paciência, tá acabando.

início: Aqui

Anterior: Esse

Sob um céu cinza chumbo: #-1

—Então não tinha criança nenhuma? —Fernanda sorria.

—Não, ela inventou tudo. —Micke estava contando para Fernanda tudo o que tinha sido dito mais cedo pela coordenadora.

—Mas por que?

—Acho que ciúme, não sei e nem quero saber, isso me deixa bem alividado.

—Nossa, com certeza, a mim também. Aquela vaca ter morrido tudo bem, mas se ela tivesse grávida, meu deus, eu nunca mais dormiria a noite.

—Nos não fizemos nada.

—E que tal começarmos? —Fernanda deu um passo em direção a Micke e o beijou.

Estavam na escola, escondidos em uma sala vazia durante uma aula. Era fim de ano, ninguém mais assistia as aulas e não era agora que eles iam começar. Alguém abriu a porta, eles se separaram assustados. Era Anderson, Ele ficou parado a porta olhando de um a outro, mas seus olhos se demoravam em Fernanda.

—O que você quer? —Disparou Micke.

—Quero saber se você esta contente, agora que ela morreu. Eles morreram.

—Eles? Você realmente acreditou nela?

—Era melhor do que ficar do seu lado. —Anderson olhou para Fernanda novamente, parecia que nem tinha idéia de onde estava, ou do que falava. —Como você escolheu ele?

Anderson falava mais para si do que para os dois, mas Fernanda respondeu mesmo assim.

—Não tinha o que escolher, você nunca foi uma opção. Você acha que eu não sei que você estava afim de mim? Mas o Micke nunca deixou espaço pra você, ele nunca trairia um amigo.

Anderson explodiu e começou a andar em direção a Fernanda, Micke se colocou entre eles. Anderson andava rápido, mas não o suficiente, ouviu-se o sinal do intervalo, os alunos, professores, e inspetores começaram a encher os corredores. Ele parou, os encarou mais uma vez e saiu.

Fernanda olhou para Micke e sorriu. Ele a abraçou e beijou mais uma vez.

Mais um, só mais um.


Sob um céu cinza chumbo: #-2

Vou pedir que não olhem esse capítulo, e vou mais longe, o fim dessa saga com olhos críticos de quem espera uma evolução mencionada no post anterior. Essa saga foi terminada ainda em 2011, o ano das sombras, e não será revisada TÃO CEDO.

Então aguardem mais um pouco e com paciência, os novos textos vão aparecer, e ai eu aviso vocês.

Agora vamos ao que interessa.

Pra quem se perdeu, início: Aqui

E se você tem memória curta e não lembra do anterior, é Esse

Sob um céu cinza chumbo: #-2

No dia seguinte ao acidente todos foram ao colégio, mas ninguém teve aula. As pessoas se amontoavam no pátio do colégio ansiosas por ouvir o que o diretor da escola iria falar sobre o acontecido. Micke e Fernanda estavam lá, bem ao fundo com seus amigos. Muitas pessoas o olhavam, algumas chegaram até a por a culpa nele.

—Você não tem culpa. —Fernanda pousou a mão em seu ombro.

—É, acho que não.

O diretor subiu em um palco improvisado, testou um microfone igualmente improvisado e começou a falar.

—Ontem uma tragédia se abateu sobre nossa escola. Uma de nossas alunas foi atropelada por um ônibus bem aqui em frente. O resgate feio o mais rápido possível e ela foi levada a UTI, mas infelizmente não resistiu. Pelo resto da semana as aulas estão suspensas e está declarado luto em nossa escola.

As pessoas começaram a murmurar, em algum lugar alguém gritou “ELA FOI EMPURRADA.” O diretor voltou a falar e fez silêncio.

—Haviam mais de 20 alunos no portão no horário do acidente, a maior parte deles prestou depoimento e ficou claro que foi apenas um acidente.

—E o bebê? — alguém gritou da multidão, Micke estremeceu.

—Não tenho nenhuma informação sobre isso, vocês estão liberados, e as aulas serão retomadas normalmente na próxima segunda.

Os alunos foram saindo aos poucos, mas Micke foi detido pela coordenadora da escola.

—Micke, posso ter um minuto seu?

Micke concordou e eles se afastaram.

—Veja bem Micke, sabemos que não foi você, mas sabemos que foi por sua causa…

— Vocês não sabem nada mesmo sobre a criança? —Micke estava apreensivo

—Sabemos, nós recebemos um laudo completo do hospital.

—E então?

—Micke, não tinha nenhuma criança, a Paula não estava grávida.

E é isso ai.


Síndrome da equipe Rocket

Bom dia, boa tarde, boa noite. Faz algum tempo que eu não posto algo para conversar com os pseudo-leitores deste blog, então eu vou começar esse desejando a todos grandes realizações nesse ano novo.

Bom, dando sequência à idéia do post, eu pretendo falar um pouco da “minha arte”, e já vou aproveitar a deixa para explicar o nome do post “Síndrome da equipe Rocket”. O que acontece é o seguinte, assim como a equipe rocket, eu não faço coisas boas, e sou ruim no que faço, e por mais que esse não seja um pensamento muito bom, eu acabo tirando um proveito dessa síndrome, tal como os vilões de Pokémon, eu não desisto, mesmo tomando muita surra.

Verdade seja dita, eu estou um pouco atrasado, tenho quase 19 anos e ainda não tive uma grande realização na minha vida, 2012, para mim, é o ano em que eu pretendo tirar o atraso. Começando a faculdade (Publicidade e propaganda na Anhembi Morumbi, se eu não contei pra alguém ainda),  lendo mais do que em 2011, e escrevendo mais também.

O processo vai ser demorado, e eu não prometo a ninguém que blog vá ter uma atividade mais freqüente, e até acredito no contrário, já que estarei estudando e possivelmente trabalhando também. Mas para os que não desistirem de mim, espero escapar dessa síndrome e poder triunfar, não capturado o Pikachu, mas sim de uma forma que vá me fazer evoluir como pessoa.

Então é isso, mantenho o blog e aos poucos pretendo atualizá-lo, finalizando projetos já iniciados e dando início a novos. A todos desejo um ótimo ano, e que coisas realmente significativas aconteçam em suas vidas.


Sob um céu cinza chumbo: #-3

Vamos ser realistas… Ninguém lê essa merda do blog (sim Raul, vc é ninguém), mas mesmo assim, se um peregrino desavisado passar por aqui, desejo para ti boas venturas em suas jornadas neste ano que vem nascendo.

Agora sem mais mimimis

Início: Aqui

Anterior: Esse

E estamos chegando ao fim.

Sob um céu cinza chumbo: #-3

Durante o resto da semana Micke e Fernanda não foram mais na sala de Paula, e nem receberam visitas dela. Eles passaram muito tempo juntos, mas não deixaram que ninguém soubesse que estavam tendo uma espécie de relacionamento. Ficavam em alguns cantos escondidos na escola aos beijos, mas entre seus amigos, agiam como se nada tivesse acontecendo.

No início da semana seguinte, e também do mês de outubro, eles estavam  novamente no primeiro andar, matando uma aula de geografia quando Anderson virou a esquina do corredor, ele parou, olhou e saiu. Micke olhou pra Fernanda com um olhar de duvida.

—Deixa ele pra lá. — foi a resposta, e ela voltou a beijá-lo.

O dia passou sem mais surpresas, até o final da aula. Na saída Micke e Fernanda estavam com seus amigos na frente do portão da escola conversando. Lá de dentro eles puderam ver conversando Paula e Anderson. Fernanda, deu um rápido beijo em Micke e foi embora, mas não foi rápido o suficiente pra que Paula não visse.

—VOCÊ TÁ FICANDO LOUCO?! —Paula gritou no meio da rua. —EU TO ESPERANDO UM FILHO SEU, E VOCÊ FICA SE AGARRANDO COM ESSA AI NO MEIO DA RUA?! ACHA QUE EU NÃO SEI QUE VOCÊS FICAM SE PEGANDO NO PELA ESCOLA?

—Puta que pariu… —Micke começou, mas foi interrompido.

—PUTA QUE O PARIU É O CACETE, EU VOU PERDER ESSE FILHO, E A CULPA É SUA TÁ OUVINDO? VOCÊ E TODOS OS SEUS AMIGOS IDIOTAS ESTÃO DE PROVA QUE A CULPA É SUA!

—Meu, para de gritar,você tá chamando atenção!

—FODA-SE A ANTENÇÃO DOS OUTROS, VOCÊ TEM VERGONHA DE MIM!

—TENHO SIM! VOCÊ É UMA VÁDIA QUE ME EMBEBEDOU E DEPOIS DEU PRA MIM QUASE INCONCIÊNTE E AGORA VEM ME FALAR QUE TÁ GRAVIDA? PRA MIM PODE MORRER VOCÊ E ESSE FILHO —Micke perdeu a cabeça, e Paula também.

Ela saiu correndo na direção de Micke pronta pra bater nele, mas Micke era bem mais rápido que ela e saiu da frente. Paula tropeçou no meio fio cambaleou até o meio da rua e caiu, exatamente no momento em que um ônibus passava por ali.

≈≈≈≈≈≈≈≈≈≈≈≈

Os paramédicos não demoraram a chegar, colocaram Paula dentro da ambulância e a levaram para o hospital mais próximo, ninguém foi junto. A escola ligou para os pais da menina que foram juntamente com o diretor para o hospital. Naquele dia, ninguém teve noticias.

E é isso ai! =]


Sob um céu cinza chumbo: #-4

Eai, lembra do plano?

Então, eu terminei, mas vou demorar pra postar tudo.

Vamos com mais um pouco então:

Início: Aqui

Anterior: Esse

E o que temos pra hoje.

Sob um céu cinza chumbo: #-4

Um dia depois do da consulta de Paula, Micke e Fernanda foram até a sala de aula dela para saber o que aconteceu.

—Eu não vou falar na frente dela! — Paula olhava pra Fernanda com um olhar de desdém.

—Para de frescura menina, fala logo! —Estava claro que Fernanda já tinha perdido a paciência com aquela história toda.

—Paula, fala vai, a Fernanda vai saber de qualquer jeito. —Micke não se meteu para que elas não brigassem mais, aquilo o deixava assustado. — O que aconteceu lá no médico?

—Ele fez um ultrassom, não deu pra saber o sexo ainda, mas parece que a criança não esta bem.

—Como assim não esta bem? —Fernanda estava intrigada.

—O médico disse que eu estou passando por muito estresse e que isso pode influenciar na formação da criança.

—Ah meu de… —O sinal de mudança de aulas tocou e interrompeu Fernanda, foi a deixa de Micke.

—Vamos Fê, temos prova. Depois vemos melhor isso ai.

Saíram, Micke puxava Fernanda pela mão.

—Temos prova? — Perguntou Fernanda.

—Não, só não queria ficar mais ali, essa história tá errada, e de qualquer forma, se ela fez um ultrassom, ele tá gravado, depois vou pedir pra ver.

—Então não temos prova? —Fernanda sorriu

—Nã… —Micke foi interrompido por um puxão de Fernanda que começou a arrastá-lo por um corredor.

—Aonde vamos? Nossa sala não é por ali? —Micke apontou debilmente uma escada próxima.

—Eu sei, não vamos pra lá.

Micke deixou-se puxar até que Fernanda virou mais um corredor, deu um ultimo puxão no braço de Micke o jogando contra uma parede. Estavam no primeiro andar, em um corredor onde só tinha aulas no período da tarde, de manhã era praticamente deserto. Micke olhou Fernanda meio confuso, ela por sua vez, deu um passo em direção a ele, encostando o seu corpo no dele, e deu um beijo de leve em sua boca, afastou levemente a cabeça e olhou novamente pra ele.

Micke então a puxou pelo pescoço e beijou ela como se aquele fosse o ultimo beijo de suas vidas. Ficaram ali aquela aula toda, até que o sinal tocou para a aula seguinte. Voltaram para a sala de mãos dadas.

E é isso ai.


Sob um céu cinza chumbo: #-5

Esse é o plano: Terminar haiiro sora ainda em 2011.

Confirma Evaristo? Confirma!

Começamos: Aqui

O ultimo foi: Esse

E o seguinte:

Sob um céu cinza chumbo: #-5.               

 

Micke ainda relutante esperou por Paula na saída da aula, Fernanda estava lá para ter certeza de que ele não iria fugir.

—Relaxa Fê, eu disse que eu vou, então eu vou.

—Eu sei que eu você vai, eu só quero ficar aqui um pouco mais com você, não posso?

—Claro que pode. — Micke estava surpreso, mas feliz com isso, quando Paula enfim chegou.

—Também vai?

—Eu realmente adoraria estar lá quando essa história fosse esclarecida, mas infelizmente eu tenho que cuidar dos meus irmãos.

—Pena —Paula sorria —Vamos Micke?

— Que seja.

Seguiram de metro até a estação clínicas, Paula tentava conversar, mas Micke sempre lhe respondia seco.

—Está bonito hoje. — disse ela no metro.

—Ok.

—E quais são as novidades, faz tempo que não falamos. —Insistiu Paula.

—Nada.

O metro parou, haviam chegado. Estavam na zona sul da cidade e o hospital das clínicas ficava do outro lado da rua, saindo do metro.

—Sua mãe trabalha aqui não é? —Perguntou Micke — Enfermeira?

—Isso, ela é enfermeira aqui sim.

—Em que setor?

—Geriatria —Paula tinha um sorriso irônico no rosto.

—Porra, e ela sabe disso?

—Não, ainda não. Eu falei com um médico amigo da família, ele prometeu guardar segredo por enquanto, e hoje ela não está ai, pegou folga.

—Ok..

Entraram, e subiram para o andar da geriatria, lá todos sorriam quando Paula passava e Micke se sentia cada vez mais enojado com aquilo tudo. Foram até uma espécie de recepção, Paula encostou no balcão.

—MAARTA! — a balconista gritou ao ver Paula. — Marta, vem aqui, sua filha tá aqui.

—Pensei que ela não estava aqui hoje — Micke sussurrou pra Paula.

—E não deveria estar, deve estar fazendo extra.

—O que você vai fazer? — Micke estava assustado.

—Calma.

—Oi filha, o que faz aqui? —A mãe de Paula era alta e esbelta, passaria sem problemas por irmã de Paula. —E quem é o moço ai?

—É um amigo, Micke, veio me acompanhar, tive uma tontura na escola e decidi vir aqui.

—Ah, mas que gentil moço. Vem aqui Paula, vou tirar sua pressão e temperatura, você pode esperar sentado ali docinho.

A mãe de Paula a puxou para dentro da sala das enfermeiras, Micke sentou em um banco próximo e ficou imaginando o que iria acontecer. Paula acabaria contando pra sua mãe, e a mãe dela acabaria ligando pra mãe dele, com isso ele perderia a liberdade em casa, mesmo que a história dela não fosse verdade, como ele ainda acreditava.

Alguns minutos depois Paula saiu da sala e veio falar com ele.

—Cansado de esperar?

—O que aconteceu lá? — Micke estava desesperado — Você contou pra ela?

—Não, mas uma hora ela vai saber. O médico que vai me atender só chega mais tarde, ela acha que vou fazer rotina. Vai esperar?

—Quanto tempo?

—Umas 3 horas mais ou menos, minha mãe disse que ele mudou de horário, ela pediu que ficasse lá com ela, o movimento tá fraco hoje, mas você não pode entrar lá por causa das pacientes.

—Certo, eu vou embora, depois me conta o que aconteceu.

Micke desceu e pegou o metro, com uma estranha sensação de que aquela história ficava cada vez mais mal contada.

Falta pouco agora.


Copy and Paste: #6

Ressuscitando a Copy and Paste com um texto que não é meu, mas é inspirado em um.

Na real, é um final alternativo pro meu Teodoro, e foi escrito pela @Lari_zp.

Ficou muito bom, é uma versão totalmente diferente, escrita de uma forma bem diferente da minha também. Tem um tom mais romântico, mais bonito.

Lá vai:

Teodoro:

3

Teo podia sentir o peso do ingresso em seu bolso esquerdo do blazer impecável. Era como se aquele maldito ingresso para aquela festa de máscaras que Betânia havia lhe dado guardasse consigo todo o fardo de uma vida fracassada. Quem ele queria enganar? Seu lugar não era alí, seu lugar era dentro de sua bolha de amargura.

As luzes da cidade nunca pareceram tão opacas quanto às daquela noite gélida. O farol ficou amarelo. Em outros tempos, as batidas do coração de Teo o diriam para acelerar impiedosamente, mas nesta noite, a pressa fazia-se completamente dispensável. Parou no farol e olhou através de seu vidro. Lá estava a cafeteria onde começaram seus dias mais felizes, suas noites mais provocantes, seus suspiros mais profundos, seus sorrisos mais tolos, que se afogavam em um mar em ressaca, no final das contas.

Bem alí, na mesa mais próxima à janela da cafeteria, estavam dois jovens apaixonados, rindo incontrolavelmente, enquanto um sujava o nariz do outro com o chantily do topo de seus Frappuccinos. A visão de Teodoro tornou-se túrgida, e sua mente o trouxe de volta àquela tarde chuvosa, que pedia desesperadamente por um café. O problema é que todos daquela cidade também teriam pensado no sucesso da união de uma tarde chuvosa e uma boa xícara de café. A cafeteira estava lotada, mas havia apenas um lugar disponível. Aquele lugar. Justo aquele lugar. Teodoro pediu licença para sentar-se, e um exemplar de capa dura e de páginas amareladas de Jane Eyre abaixou-se alguns centímetros de sua posição inicial, dando lugar à olhos de um castanho escuro, que reluziam por de trás de lentes grossas de um óculos preto. Apenas um “Fique à vontade” e um sorriso doce acabaram com a vida de um homem.

O som da buzina do carro de trás e a luz forte do farol alto acionado fizeram com que Teodoro voltasse a sua realidade atual. O farol estava finalmente verde. Ele seguiu adiante, deixando com que a imagem dos dois jovens desaparecesse no vento. Teodoro chegou ao local da festa. Abriu seu porta-luvas e tirou de lá uma máscara preta que cobria apenas a região dos olhos e amarrou-a em seu rosto. Olhou-se pelo retrovisor do carro. Seus olhos azuis não podiam mais ser comparados ao céu límpido em um dia de sol, agora eles comparavam-se a um abismo profundo em um mar de tormentas.

Entregou as chaves do carro para o manobrista e fitou a entrada da festa. Respirou fundo e subiu as escadas que davam acesso a parte superior da casa, com vista para o salão de dança. Duas garotas de máscaras berrantes observaram Teo com olhares de desejo, mas ele nem ao menos as notou. Acabou de subir as escadas e avistou várias pessoas conversando, rindo e dançando. Sua vontade foi de sair o mais rápido daquele lugar, mas ao virar-se para concretizar sua vontade, avistou uma sequência de bancos de couro em frente a uma bancada comprida, com um bar man que limpa insistentemente uma taça de cristal com sua flanela branca.

Teo sentou-se em um dos bancos de couro nem tão confortáveis de e pediu um Black Label. A festa ocorria em uma casa antiga, estilo clássico. Teo não achava aquilo nem muito bom, nem ruim, achava apenas satisfatório. Começa a tocar então uma valsa melancólica, composta pelo som de um piano envolto ao som de um violino triste. Todos começam a dançar em uma sincronia perfeita, um transe. Teo fixa seu olhar alto nos vestidos rodando lentamente e nos olhares lançados por entre máscaras.

A chuva começa a cair, e os trovões fora da casa parecem fazer uma sincronia perfeita com a melodia. Um estrondo de um trovão cativa a atenção de Teodoro para uma saída estreita, que levava para a sacada da casa. Teodoro vê um vulto negro indo em direção àquela saída e o segue, como se o cheiro da chuva e o choro do violino o envolvessem e o levassem para aquilo.

Teodoro passa pela porta e encontra uma noite de lua cheia, gelada e chuvosa, mas incrivelmente sedutora. Um clarão ilumina uma silhueta marcada por um espartilho negro acompanhado por uma saia de cauda longa, que se destacavam na pele branca como neve.  As costas à mostra, com apenas alguns cachos ruivos do cabelo mal preso dançando pelas costas delicadas como cristal. A cabeça a qual pertencem os cachos ergue-se, e vira suavemente  para o lado, exibindo para Teodoro o perfil de uma máscara negra com o brilho de alguns cristais swarovski. A pele branca como mármore encoberta com a máscara negra como aquela noite.

Teodoro sentiu seus pés flutuarem até a escultura á sua frente, e para seu espanto, a escultura moveu-se, trazendo seus olhos verdes como esmeraldas à fronte. O som do violino atingia seu auge, quando o vermelho da boca de Betânia deixou escapar um sorriso de lábios fechados seguido por uma frase quase sussurrada: “Você veio, Teodoro.”

                Naquele momento, nada mais importava para Teodoro. Ele já estava aprisionado dentro dos olhos de Betânia. Aqueles olhos, os quais ele nunca havia notado, já que sua cabeça estava voltada apenas para um maldito par de olhos castanhos. Tão tolo! A boca perfeita e vermelha de Betânia convidava os lábios de Teodoro para uma valsa infinita e tentadora. Teodoro não ouvia mais o que a garota estava a lhe dizer. Ele aproximou-se dela e desfez o laço que mantinha a máscara negra em seu rosto. A garota calou-se. A máscara caiu no chão. As esmeraldas fitavam aquela imensidão azul que voltara a brilhar como que por mágica.  A mão de Teo envolveu a nuca da garota, e a trouxe mais próximo a ele.  E então, o convite para a valsa que os lábios de Betânia ofereciam aos lábios de Teo foi aceito.

A musica foi escolhida pela autora do texto e é Metallica – Notting Else Matters

O pior é pensar que ela escreveu isso em uma hora, e eu levei 3 meses xD

Espero que gostem, eu gostei ;) .


Em Outros Mundos: #10

Eu levei mais tempo do que eu esperava pra terminar essa trilogia, ela não começou e não terminou como eu esperava, mas ela segue uma sequencia estranha, divertida, e é uma das coisas que eu mais gosto de ter escrito. Sem mais delongas, vos apresento o final.

Teodoro:

3

Luzes piscavam freneticamente, o chão rodava sob os pés de Teodoro acompanhando o ritmo impreciso do globo de espelhos. Seu coração batia ao som da musica, um metrônomo enviando impulsos selvagens que Teodoro não tinha há muito tempo. Ele andava pela pista, não dançava, nunca soube, mas fazia parecer que sim. Olhava para as mulheres que se moviam de forma sensual, todas tentando chamar a atenção da maior quantidade de homens, queriam opções. Poder escolher com qual cara terminariam a noite, e dependendo do numero de hi-fis que Teodoro bebesse, poderia ser que alguma delas acabasse com ele. Olhou para seu copo e reparou que só havia nele uma rodela de laranja, precisava de outro drink, foi até o bar e se sentou apoiado ao balcão. Mesmo apoiado a casa noturna não parava de girar, o ambiente era escuro, luzes piscavam e faziam com que as pessoas dançando parecessem em um estranho filme em stop motion, rodou no banco giratório e ficou de costas pro balcão, o movimento causou náuseas.

—Não sei se me divirto ou acho feio ver tanta gente se mexendo freneticamente. —Só então Teo percebeu que sentará ao lado de uma mulher, a pouca luz parecia bonita, mas do que ele sabia? Já tinha bebido pelo menos um copo de cada drink que serviam naquele lugar.

—A, me desculpe, não tinha te visto ai..

—Então não sentou pra dar em cima de mim? —tinha um tom jocoso na voz, não deixou claro se era aquilo que ela queria, ou se esse tipo de situação a irritava.

—Não, me desculpe, inclusive se você quiser, eu procuro outro lugar.

— Cara, ou você está muito bêbado e está viajando, ou está pouco bêbado, pega outro drink e vamos conversar um pouco.

— Oi?

— Tá se preocupando mesmo com o que uma pessoa em uma boate pensa ou deixa de pensar? Em uma boate? — Ela ria, e Teodoro percebeu meio bestificado que gostava daquilo.

—Ah..

— Você não costuma freqüentar lugares como esse não é?

— É que.. —De novo Teo não conseguiu falar.

—Pensando bem, não quero saber disso vamos dançar. —Ela levantou e puxou Teo pela mão e o arrastou pro meio da pista.

Lá estava ele, mas isso não importava. Lá estava mais umas cinqüenta pessoas, e isso também não importava. Ela dançava, e era só nisso que Teodoro conseguia pensar naquele momento. Sua mente o forçou: “Vamos, faça algo”, nada. “Vamos, faça algo e seja lá o que for, faça agora.” Ele fez.

Em um movimento súbito ele se moveu pra frente, um braço foi pela cintura, o outro passou por de trás do pescoço, a puxou contra si e a beijou.

A danceteria girou, mais do que já girava, algumas pessoas próximas pararam pra olhar. Era um beijo carnal, um beijo de um homem e uma mulher que nem sabiam os nomes um do outro. Mas era um beijo, e Teo pode sentir isso vindo dela também, que os dois precisavam. Durou pelo que pareceu ser horas a fio, quando acabou, pareceu poucos segundos, e não deveria ter sido diferente, ainda tocava a mesma musica.

Ninguém disse nada, todos dançavam, Teo saiu dali, levando sua nova amiga pela mão, em direção a porta da boate. Foram até o carro de Teo.

—Aonde vamos? —perguntou a moça.

— Boa pergunta. — deu partida no carro — vamos descobrir juntos.

Saíram, Teo levou o carro por 1km e alguma coisa, fez uma curva para a esquerda, mais 1 km, outra curva pra esquerda, mais 1km e alguma coisa e então mais uma curva pra esquerda.

— Olha, uma boate, tá afim de beber e dançar?

—Você tá bem louco já né? — ela ria da situação.

—Devo estar, o que você quer fazer?

—Vamos pra sua casa.

Teo não sabia muito bem onde ficava sua casa naquele momento, mas por sorte o GPS existia, dirigiu para casa.

Subiram no elevador conversando, e Teo não conseguia se lembrar em qua parte do caminho ela fora parar em seu colo, não importava.

Entraram em seu quarto aos beijos enquanto aos poucos as roupas que vestiam iam sendo jogadas pelo local. A mão de Teo passou pelas costas dela, e logo o sutiã estava cruzando o quarto, ele nem lembrava que conseguia abrir aquilo com tal facilidade.

Teo andava com ela no colo, queria facilitar as coisas, tentou acertar seu corpo na cama, mas falhou miseravelmente, caiu de costas no chão, com ela ainda em seu colo, ali estava bom o suficiente. Tiraram o resto de roupa que lhe restavam, ainda se beijando freneticamente.

Ela se levantou e foi para a cama, Teo respirou fundo, virou o rosto e viu algo que ele não via há algum tempo. Embaixo de sua cama havia uma caixa de sapatos tombada de lado com parte de seu conteúdo espalhado pelo chão. Cartas, uma aliança, um livro, CDs se espalhavam pelo chão. Mas dessas coisas a que atingiu Teo mais forte era uma foto, a única que ficou com ele,  Alice tirou  enquanto o abraçava, ele fazia uma careta, como sempre, e ela sorria, não como sempre, mas como ele gostava de lembrar dela.

—Você não vem? —A moça, como ele podia ter esquecido?

—Vou — “Eu acho” pensou Teo. Levantou-se e foi para a cama.

Trocaram mais alguns beijos, rolaram mais um pouco na cama, mas Teo não estava mais no clima, não sabia mais se podia fazer aquilo, e sua acompanhante percebeu.

—O que tá pegando? — Perguntou quando percebeu que não ia conseguir nada no pescoço de Teo. —Aliás, por que não tá pegando?

—Não sei… —mentira. — Me desculpa.

—Não, sem desculpas, vamos, você tava com um fogo tremendo antes de sairmos do chão, o que aconteceu lá.

Teo contou.

— Você também foi pra boate pra esquecer uma paixão, então? — perguntou rindo.

—É, você tá conseguindo? —Teo queria mesmo saber como fazia aquilo.

—Eu estou nua na cama de um cara que eu conheci hoje, ao meu ver, estava dando bem certo, até agora.

—Me desculpa.

—Vamos lá cara, eu sei que você pode fazer isso, só confia em mim, e amanhã você vai acordar bem melhor.

Teo fez cara de incerteza, a moça se aproximou, começou a beijá-lo. Sussurrou algumas coisas inteligíveis em seu ouvido, Ele fechou os olhos.

Beijou-a como se fosse a ultima mulher do mundo, seus corpos se entrelaçando por horas, mudavam de lugar, de posição, mas não de ritmo, precisavam fazer aquilo juntos, tinham percebido isso, e estavam fazendo.Algumas horas depois adormeceram, exaustos.

Teo acordou pela manhã, sua cabeça doía, olhou pelo quarto, as roupas da moça que passara a noite com ele haviam sido recolhidas e levadas embora, e tinha levado ela junto, ou foi algo parecido com isso. Foi à cozinha, mais precisamente a geladeira, onde procurou algo que curasse sua ressaca, por falta de opções pegou uma cerveja.

Abriu e deu um gole, ainda com a geladeira aberta, na esperança de achar algo pra comer, desistiu. Fechou a geladeira, um guardanapo estava preso a um imã. Em batom estava escrito:

“obrigado pela noite passada! Espero ter te feito tão bem quanto fez a mim.”

Nos últimos meses Teo tinha perdido algo dentro de si, a capacidade de ser feliz e fazer outras pessoas felizes. Tudo levava a crer que esse sentimento tinha sido roubado de dentro dele, e que ele nunca o teria de volta. Percebeu que estava errado.

Na noite passada Teo descobriu que se fosse com uma mulher diferente toda noite, ou com a mesma mulher sempre, ele podia fazer bem pras pessoas, para que elas fizessem bem pra ele. Pelo menos ele podia tentar.

A musica do texto, das 3 acho que é a mais apropriada.

Green Day – Good Riddance


PS: os cuzões do canal do Green Day no youtube não deixam incorporar o vídeo oficial e eu não achei nenhum outro, então vai assim mesmo. .-.


Em Outros Mundos: #9

Esse vem de um mundo chamado Passado

Libras

O Sol que entrava pela janela batia naquela moeda de Libra que era jogada pro alto em um movimento praticamente involuntário. Luzes refletiam por todo o aposento conforme a moeda se movia, feixes de luz, flashes de memória.

Um belo dia de inverno paulistano.Uma  tarde ensolarada, sem muito calor, a luz entrava pelas grandes janelas que estavam por completar 100 anos, dando ao recinto uma bela luz natural. Duas pessoas se abraçavam em um momento intimo de quietude. Do lado de fora um sábia piava alheio a eles.

Outro feixe de luz, tudo estava escuro. Uma pergunta no ar.

“Alguém já te deu a lua?”

Não, pelo menos não até aquele dia de agosto.

Outra volta, mais um brilho, a moeda de libra não para.

Muitas libras sobre uma pessoa. Muitas decisões que não cabem a ninguém, as vésperas da primavera as flores começam a murchar nesse maldito clima paulistano. Chove de mais, e as lágrimas que caem se confundem com a água dos céus cor de chumbo de setembro.

A moeda cai na palma da mão. A mão de uma libriana.

“Coroa.”

Como se isso resolvesse alguma coisa, ela sai da sala, do prédio. Poderia muito bem ter saído da cidade, do país, já que saiu de sua vida.

Libra, Libras, uma Libriana. Suas melhores lembranças. Suas piores também.

Adeus você – Los Hermanos


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 39 other followers